"A última aventura"
Fotografia digital
dimensões variáveis
2011



A Última Aventura revela a jornada de aproximadamente um mês que Romy Pocztaruk fez pela Rodovia Transamazônica em outubro de 2011. Atravessando de carro partes dos quase quatro mil quilômetros da estrada, Pocztaruk procurou por vestígios materiais e simbólicos que remanesceram de um projeto faraônico, utópico e ufanista, rapidamente fadado ao abandono e ao esquecimento. O resultado são imagens estáticas de cenários vazios e despovoados, nos quais seus habitantes ausentes guardam os resquícios de suas aventuras.
A Rodovia Transamazônica, cuja construção teve início durante o governo militar de Emílio Garrastazu Médici (1969-1974), foi originalmente projetada para unir longitudinalmente as regiões Norte e Nordeste do país, do extremo leste da Paraíba à fronteira do Amazonas com o Peru. Fruto de uma estratégia política da ditadura durante o suposto “milagre econômico” brasileiro, o desbravamento da rodovia simbolizava a possibilidade de colonização e integração nacionais, avançando um Brasil grande e moderno ao status de potência mundial. O discurso fortemente nacionalista, no entanto, mascarava não só os desvarios do projeto, que acabou interrompido pela metade, mas também a escalada da repressão militar, que punha em prática seus severos anos de chumbo.




The Last Adventure reveals the approximately one-month journey that Romy Pocztaruk undertook on the Trans-Amazonian Highway on October 2011. Traveling by car sections of the almost four-thousand-kilometer highway, Pocztaruk searched for material and symbolic evidence remaining from a pharaonic, utopian, boastful project which quickly faded into oblivion and abandonment. The outcome are static images of empty, unpopulated scenarios, where the absent dwellers keep the vestiges of their adventures. The Trans-Amazonian Highway, whose construction began during the military government of Emílio Garrastazu Médici (1969-1974), had been originally designed to longitudinally link the North and Northeast regions of the nation, reaching from the extreme East of Paraíba to the border of Amazonas with Peru. The offspring of a political strategy nurtured by the dictatorship during the so-called Brazilian "economic miracle", the implementation of the road symbolized the possibility of national colonization and integration, advancing a large and modern Brazil into the status of a world power. This strongly nationalistic agenda, however, disguised not only the madness of the project, which was abandoned unfinished, but also the increasing military repression, which was at its direst.



Bienal de São Paulo, 2014